Introdução

homem-das-cavernas2Enquanto, como qualquer outro animal, o Homem consumiu seus alimentos no próprio local de origem, sobre um arbusto ou sobre um penhasco; enquanto não precisou de cuidados especiais com vestimentas, não houve necessidade de proteção especial nem para suas coisas nem para si próprio. A necessidade da embalagem começou a aparecer quando aumentou a distância entre suas fontes de abastecimento e sua moradia; quando surgiram as primeiras divisões de trabalho não só dentro do núcleo familiar, como na tribo e até entre elas; e à medida que o Homem foi especializando-se e tornando-se caçador, agricultor, pastor, pescador teve de acondicionar, transportar e armazenar seus produtos. Seu melhor exemplo foi a natureza, que entre outros produtos, nos entrega o feijão e a ervilha numa vagem, o milho numa espiga envolta em palha e a laranja dentro de uma casca. Enfim, quase todos os produtos alimentícios com que a natureza nos brinda chegam-nos pré-acondicionados em embalagens naturais.

Inicialmente foram usados materiais como o couro e a madeira, depois o papel, o algodão, a juta e a palha.
A interdependência entre os homens foi aumentando, e com ela a necessidade de intercâmbio. Surgiram assim as primeiras formas de comércio e escambo, o que demonstrou não só a fragilidade das mercadorias, expostas cada vez mais aos percalços das longas distâncias, como também a ineficiência das embalagens até então utilizadas. Somando-se a isso o encarecimento da madeira, que chegou a ser proibida em certos casos, e com o desenvolvimento da tecnologia, surgiram outros materiais como a madeira e as chapas prensadas, o papelão ondulado, o vidro, e mais tarde os materiais plásticos.

Em sua evolução, as embalagens mantiveram suas funções básicas, mas adquiriram outros propósitos como a de atrair a atenção do consumidor e motivar a venda, pois a concorrência entre os produtos determina que a embalagem deve persuadir por si mesma e “vender o que protege tanto quanto proteger o que vende” (F.A. Paine). Outro propósito é facilitar a vida do consumidor, pois hoje já se produz, por exemplo, uma infinidade de embalagens que podem sair do freezer direto para o microondas.

Existem basicamente dois tipos de embalagens: a de consumo, que é vendida juntamente com o produto e entra em contato direto com o consumidor, e a de transporte que acondiciona a de consumo desde o local onde o produto é fabricado até seus pontos de venda, dificilmente chegando a ser manipulado pelo consumidor.

embalagens_consumo_transporte

A embalagem deve ser projetada com cuidado, levando-se em conta critérios técnicos e normativos, que muitas vezes são esquecidos pelo projetista, por desconhecê-los, ou por não possuir acesso a eles, ou até por pensar que estes não são necessários. Estas embalagens geralmente são projetadas por Publicitários, Engenheiros e Designers (Industriais e Gráficos), sendo que cada um vê a embalagem sob uma perspectiva diferente.

  • Os engenheiros possuem uma visão mais funcional. Seus projetos possuem um forte embasamento técnico, que dá qualidade e funcionalidade à embalagem.
  • O publicitário possui uma visão mais mercadológica. Seus produtos possuem uma forte relação com o consumidor, que é contagiado pela estratégia de marketing envolvida, fazendo com que o produto tenha uma boa aceitação no mercado.
  • O designer projeta levando em conta não só fatores funcionais, estéticos e mercadológicos, mas também fatores técnicos (ex: ergonomia, legibilidade), psicológicos e sociais, ou seja, todo tipo de informação que o produto requer. Para isso ele consulta os profissionais envolvidos com cada uma dessas áreas e gerencia as informações obtidas, fazendo com que o produto final seja o melhor e o mais criterioso possível.

Também é importante a participação de profissionais das áreas comerciais e financeiras para fazer o levantamento de custos, escolher fornecedores e definir prazos. Na escolha de um tipo de fecho, por exemplo, deve também ser levado em consideração o investimento necessário e o nível de redução de custos. A união destes profissionais, combinando conhecimentos técnicos com métodos de marketing, aspectos econômicos e situações psicológicas e sociológicas, confere funcionalidade, praticidade e beleza à embalagem e oferece inúmeras vantagens:

  1. Estabelece critérios para as tomadas de decisão;
  2. Favorece a criatividade e adoção de alternativas;
  3. Evita perda de tempo;
  4. Reduz erros e custos;
  5. Aumenta o desempenho técnico;
  6. Proporciona visão de conjunto.

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Quando isso não acontece, a embalagem corre o risco de tornar-se um produto semelhante a um objeto de decoração, e de qualidade duvidosa. E isso não só tem acontecido, como frequentemente estas funções são atribuídas a uma só pessoa de uma das áreas, muitas vezes o próprio empresário ou até mesmo arquitetos.
Existem instituições que elaboram ou apenas controlam os critérios e normas convencionados (e/ou convencionais). Os principais no Brasil são:

  • ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas);
  • ABRE (Associação Brasileira de Embalagens);
  • CETEA (Centro de Tecnologia de Embalagens Alimentícias);
  • Embrapa Agroindústria de Alimentos (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Órgão do Ministério da Agricultura);
  • INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial);
  • Instituto Adolfo Lutz;
  • Ministérios da Saúde e da Agricultura.

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Cabe ao projetista buscar e analisar estas informações aplicando-as junto com seu conhecimento, sua técnica e sua criatividade de forma a obter uma embalagem adequada e de boa qualidade.

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